Arquivo mensal: julho 2011

Ao futuro, com confiança

These could be the best days of our lives… but I don’t think we’ve been living very wise […]”

“Segura e taca no chão” > “soco para cima” (2X) > “pula e chuta para baixo” > “soco para cima” > “pula e chute giratório” (2X) > “especial para cima”.

“Aprendam comigo seus miseráveis! Vocês não são páreos à agilidade do Capitão Falcon!”

Por escolha do destino, eu não tive a oportunidade de descobrir como se dá um especial com o “Iori” no “The King of Fighters“, então acabei me especializando em derrotar os “Donkey Kongs” no “Super Smash Bross“.

Cap. Falcon - "Detona eles muleke!"

Tocar violão? Nunca aprendi, e nem posso culpar a “minha falta de coordenação motora”, como todos o fazem, uma vez que sou um exímio* malabarista. Um talento que nunca me levou a lugar nenhum. (*para me caracterizar como um “exímio malabarista”, peço que desconsiderem a existência das crianças orientais e similares).

Nessa condição humana em que me encontro, possuindo uma única oportunidade para ser o melhor que eu conseguir, reconheço falhar em algumas das minhas pretensões. Algumas destas são tolas (como as citadas até o momento), umas mais e outras menos. Natural. Mas tenho ciência de que não evoluo com a mesma fluidez que se observa no vai-e-vem celestial, sempre com a certeza de que o sol irá cruzar o céu e se pôr no lado oposto. O ritmo é certo.
Sim, nossa evolução poderia ser constante. I do believe.

Esse sol que já me aquece há quase dezenove anos, já deve ter-me notado em alguns dos meus deslizes. Sabe do meu mau-hábito de não aprender com tudo o que a vida ensina. E sabe que me contradigo com alguma freqüência. Mas sabe também que é por pura falta de atenção, e que ainda há algo de bom para manter a esperança viva.

Talvez não se importe, alguns não reparam. Parece a coisa mais óbvia do mundo, mas nem todos dão o valor. A você que se deu o trabalho de chegar até esse pedaço de texto, num artigo iniciado com uma música que, provavelmente você jamais tenha ouvido, peço que se recorde – a vida é uma só.

Não desperdice essa chance única apenas admirando o que é bom e sendo regular. Todos podemos ser bons também. Entre os milhares de atletas em uma competição, um deles será o melhor. É certo, um será. E esse único ser é tão humano quanto você.

Não aguarde os outros com o medo de ser “atirado”. Não controle suas emoções com o medo de aparentar fraqueza. Não se prive do amor, com o medo de se magoar. A vida é uma. Seja tudo o que puder.

Eu posso ser o que eu quiser e tenho o coração de uma estrela, e sei, ela irá brilhar. A rota que eu traçar é que irá definir o meu destino, tal qual os frutos são colhidos conforme o plantio. E tenho fé.

Sim, eu só tinha um "Y" e tive que improvisar um "N" virando um "Z" ;D

Nicolas Iory

Citações: Oasis ( Digsy’s Diner/ You’ve Got The Heart of a Star/ Stop Crying Your Heart Out)

Monstruosa Simetria

"Homem Vitruviano" - Leonardo Da Vinci

fonte: http://infoescola.com

Quando estava no colégio, ela adorava História. Gostava de desvendar os mistérios das antigas civilizações. Tinha certo fascínio, para não dizer obsessão, pelos povos gregos. Admirava o racionalismo dos atenienses e deixava-se levar pela bravura dos espartanos. E como era bom… Ela se imaginava vivendo cada situação, desde a reclusão da mulher ateniense à responsabilidade de uma mãe espartana. A idéia de perfeição que os gregos possuíam também passou a fazer parte da vida dela desde então.

Ela planejava uma vida perfeita, mas sabia que isto não era humanamente possível, ou melhor, para os gregos isso era possível, mas os gregos eram os gregos ora, não são estes humanóides frágeis do século XXI. Logo, ela passou a buscar o modo de vida que mais a aproximava da perfeição.  Não poupava esforços para conseguir atingir cada meta que ela mesma estabelecia – que iam desde padrões estéticos a profundas mudanças na maneira de pensar.

Mesmo com tanta dedicação, a vida dela ainda não conseguia atingir um patamar tolerável. Logo, ela chegou à conclusão de que o problema não era com ela, mas sim, com a sociedade de modo geral. Como ela poderia ser “simétrica” em um mundo repleto de defeitos?

Bom, ela adorava história e vira e mexe via-se seduzida pela persuasão de Hitler. Para ela, o padrão era organizado, era limpo, era bonito. A diversidade possuía uma conotação negativa, pois era desorganizada, era misturada, era poluída. Sim, ela queria uma hegemonia, não de um povo, mas de um estilo de vida. Era o desejo de uma hegemonia da perfeição. Da perfeição estética, da perfeição mental…

Alguns anos se passaram, ela já não estava mais no colégio. Apesar do apego para com a História, entrou no curso de Arquitetura. Estava em busca das proporções e medidas perfeitas, queria tudo geométrico, não tolerava nada fora dos padrões. Havia desistido, fazia um tempo, de sonhar com a tal da hegemonia. No entanto, um pensamento tão sujo quanto havia tomado o seu ser.

Agora era o oposto, ela queria um mundo bipolar, detestava a idéia de “equilíbrio”. Odiava a “igualdade” e desejava, secretamente, que o abismo entre ricos e pobres ficasse cada vez mais fundo. Quanto mais fundo era o buraco da desigualdade, mais ela se isolava em sua “bolha” da perfeição.

Antes de se formar, ela o conheceu. Ele era o tipo perfeito, tudo que ela precisava para manter-se intacta no simétrico patamar que ela mesma criara. Não demorou muito, eles se casaram. A cerimônia foi tradicional, foi igual, foi padrão. Sim, foi do jeito que ela sempre planejou. Aliás, ela planejava tudo, chegou até a planejar coisas “implanejáveis”.

Agora estava grávida, e cometeu o maior erro de sua vida. Ela planejou o bebê. Queria um homem, saudável e gordo. Seu sonho era ser uma “mãe espartana”, progenitora de um grande homem. E passaram-se os meses…

Nasceu. Chegava ao mundo aquela pequena criatura, mas estava errado. Os médicos “apelidaram” o erro de Síndrome de Down. Ela não suportava isso, não tolerava, não queria, abominava. Nos primeiros dias, a família achou que era natural essa rejeição.

Aquilo era uma mancha na vida dela, entortava a ideia de simetria a qual ela tanto zelava. O marido aceitou, a família também, mas ela não, não poderia aceitar tamanha peça que o destino lhe pregara. Tramou uma arapuca, não podia conviver com aquele pesadelo. Fingiu uma aproximação, fingiu que estava tudo bem, afinal, ela sabia fingir como ninguém, pois disfarçava a todo o momento uma perfeição aparente.

Ela adorava História, invejava os espartanos. Lembrou que eles rejeitavam as crianças tortas, lembrou do infanticídio. Sim, ela lembrou…

Bruno Souza

Tá na cara?

Vi graça na careta da menina ao descobrir um besouro. Quis reproduzir aquela expressão ao espelho.
A perfeição no sombreado e a leveza em cada traço. Tudo aquilo me impressionou no trabalho do artista.
Não só ri da boa piada do humorista, mas também o admirei, por tamanha sagacidade.
Pela terceira vez seguida, ouvi a mesma música, dando atenção aos mesmos sons e tendo as mesmas vibrações. Virtuoso o criador.
Quando senti um dos duros golpes da vida, fiquei encantado com a percepção de um bom amigo, que verificou minha lamúria pelo simples gesto de eu ter optado por um copo d’água, ao invés do habitual refrigerante.
As indiretas que escrevia, não tinham a intenção de serem compreendidas. Mas foram. E isso me instigou.
Será o mundo um complô, ou estará assim, na cara, essa minha condição de aprendiz?

(Frank Drebin – fonte: http://bit.ly/oSWKVC)

P.S: Que nojo de título. ;S

Nicolas Iory

Num indo e vindo infinito…

fonte: http://bit.ly/ncNvf5

Houve um tempo em que eu dizia que te amava.
Te escrevi alguns bilhetes e guardei os que recebi.
Você, que se embebedou comigo, éramos sim, bons amigos, os que se lembram irão consentir.
Andávamos sempre no mesmo grupo, embora esse “sempre” não tenha sido mais que alguns anos da nossa adolescência.
Volta e meia passo por aqueles muros e me recordo de nós sentados. Claro, bate uma ponta de tristeza.
A Lay? Sim eu me lembro. Grande amiga, há quanto tempo! Veja agora como estamos!
Essa barba o José não tinha… Veja só, quem diria! Já está pra se formar.
Arrependo-me naquela prova, lembro que ficou brava porque não quis te ajudar…
Prometemos ter filhos na mesma época, planejando que, amizade igual a nossa, eles pudessem desfrutar.
A Renata já fugiu do acordo, admito, ele estava morto, mas “podemos repensar”.
Isso de estar sempre unidos… de se ver no fim de semana… Jura mesmo ter saudades?
Não que eu tenha esquecido, claro, eu não consigo, mas, hoje, já não nos imagino…
O Roberto ainda me liga, já não temos mais assuntos.
Não sei de como o tempo passou para a Daniela.
Essa tal saudade… Penso não ser como nas músicas onde todo o sofrimento está contido nela.
Talvez seja maturidade ou conformismo.
Não acredito que seja decorrência de insensibilidade.
Mas é a vida – a uva passa.

Breve elucidação (bem breve)
Não tive o intuito prévio de rimar os versos, mas, como verifiquei algumas rimas involuntárias, acabei tendendo a me esforçar e seguir na brincadeira. No final, cansei. :B

Livrando meu pescoço…
Sim, eu sinto saudades de todos aqueles que marcaram a minha vida e blábláblá. Jamais irei esquecê-los, e não gostaria que tivesse sido dessa forma. Mas é assim que o homem moldou o seu mundo.
Nada do que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia.

Nicolas Iory

Citações: Lulu Santos/Nelson Motta (Como uma Onda)