A Máscara Caiu

fonte: http://bit.ly/qae5MV

Eu me arrependo do que não foi dito, do que não foi feito e do que não foi escrito. Muitas vezes, não fui sincero, fiz da minha imagem uma pedra sólida e indestrutível. Na verdade, eu não passava de um tronco, primitivo e seco, que ia sendo derrubado, pouco a pouco, pelo vento que a vida sopra.

Sou um escravo do orgulho e, modéstia a parte, um ótimo servo. Só os mais próximos verão as minhas fraquezas. Por enquanto, sou taxado de egocêntrico, de metido e até de antipático. Naturalizo esta curiosa primeira impressão, que quase todos têm, da minha pessoa. E eu acho normal, pois é assim que eu me exponho, é desta forma que eu me jogo num mundo de estranhos, um mundo onde o fraco é descartado com requintes de crueldade.

Todavia, nem sempre foi assim. Houve o dia em que eu não usei minha armadura de robô, um tempo onde minha ingenuidade supôs que o mundo pudesse acolher a pobre alma desiludida de um garoto que ambicionava o onírico. Foi triste, mas o garoto cresceu. Descobriu que para os outros, ele tinha que ser o “pé no chão”. Para ele, era permitido, algumas vezes, ser o sonhador. Mas tudo tem sua dose certa, inclusive os sonhos.

Sonhar é bom, ou melhor, é ótimo. Mas sonhar é perigoso, ou melhor, perigosíssimo. Quando se almeja algo inatingível ou quando a realidade é negada, o sonho se torna venenoso. Um veneno que te deixa menor, que faz você se auto preencher de inferioridade. E se você se coloca como um inferior, pode ser certeza, os outros te tratarão como um inferior.

Não podemos deixar de sonhar, claro. Precisamos de um momento para nos livrar da realidade, mas só um momento, não a vida inteira. Aquele que não precisa desse momento, verdade seja dita, é um ser perfeito.

Há pouco tempo, disse para um grande amigo meu que o homem não pode ser perfeito, porque ele tem emoções. Com isso, aprendi que não adianta eu me trajar com uma vestimenta de ferro, uma hora descobrirão que eu ainda tenho um pouco daquele garoto. Enfim, ainda estou aprendendo a ser mais tolerável comigo mesmo e com os outros…

Não se assuste se, por vezes, eu colocar a assustadora máscara do meu ego e encobrir minha simpatia. Tudo o que eu quero é me distanciar, cada vez mais, do dia em que me senti menor.

 Bruno Souza

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Publicado em 12 agosto, 2011, em Balbúrdios - Bruno Souza. Adicione o link aos favoritos. 6 Comentários.

  1. Márcia Carrilho Souza

    Colocar a máscara parece fácil, sabemos que é mto difícil querer que as pessoas que realmente amamos consigam enxergar o ser que lá no fundo, nunca deixou de existir, só precisou se camuflar para enfrentar o mundo que nos cerca.

  2. Oh sobrinho, me orgulho muito de sua pessoa.
    Tambêm sobrinho da Adilda só poderia ser assim=D

    Beijos Gostoso…

  3. Fracos são os que não percebem que por trás dessa máscara de ego tem um garoto daqueles que é muita sorte ter conhecido.
    Parabéns pelo texto e por ser quem você é dupla!

  4. Texto muito bom cara!! ;D
    Parabéns por mais um texto profundo e auto-ajuda!!
    Seja assim, egocêntrico…
    afinal isso é a maior característica da sua personalidade!
    Adorei a ‘mention’ Dr. Bruno

  5. Bru, lá vai o meu comentário, não somente porque você pediu, mas porque esse texto merece! Merece por ser um texto muito bem escrito e formulado, merece por ser um texto que te expõe, mesmo você querendo se esconder por trás da sua máscara de egocêntrismo, e pra tanto é necessário muita coragem, merece por ser um texto que se a aplica não somente a você mas a muitas pessoas que se escondem atrás de tantas máscaras diferentes;
    Eu ficaria listando por muito tempo os motivos pelos quais esse texto merece ser lido e elogiado, mas não vou, por saber que não é necessário elogiar algo que se elogia por si só.
    Parabéns pela ótima escrita, pela ideia, e principalmente pela coragem de se expor!

  6. Interessante. Agora passo a te compreender melhor. Tudo tem um motivo, uma explicação para a maneira que agimos/pensamos.
    Curti seu texto e confesso que gosto mais do Bruno sem máscara, mas eu consigo conviver com o egocêntrico tbém.
    Parabéns Bru.

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