Baseado em fatos inventados

– Talvez haja estudos que identifiquem os estágios pelos quais passamos desde o momento em que nos deitamos até o atingir do pleno sono. –

Fernando estava naquele período em que se está a um passo de dormir, com uma sonolência avançada, mas nem por isso, totalmente desligado dos eventos que ocorriam ao seu redor.
Rosane sim, essa estava dormindo de verdade.

A noite era quente – bem quente – e Rosane vivenciava loucas aventuras enquanto sonhava.

A gente não tem culpa por nossos sonhos e, a exemplo de Fernando, também não somos culpados por nossas atitudes quando acabamos de sair do estágio de plena consciência devido à chegada do sono. É injustiça, por exemplo, ter ciúmes de alguém que pronunciou o nome de outro(a) durante o sono, por mais que os românticos-extremistas desmintam essa minha afirmação.

Entre a corrida de caravelas na Baía de Guanabara e o encontro com o tio distante – outra característica dos sonhos é essa, de mixar uma porção de coisas inusitadas de uma hora para outra, sem que você se dê conta de como ocorreu essa troca de “cenas” – Rosane visualizou um rato.

– Fernando, cuidado com o rato…
– Onde ele está, amor? – disse Fernando, “semi-dormindo”.
– Eu acho que ele está em cima…
– ‘Em cima’ onde?
– Acho que… Em cima da sua cabeça.
– (CRENDEUSPAI)… Então é melhor eu me esconder.

Fernando puxou o edredom até cobrir a cabeça de ambos. A noite era quente.

– Ele ainda está aqui?
– Está sim, mas tem uma cobra vindo pegá-lo.
– Graças a Deus. Vou ficar escondido. Ele é grande?
– Rato enorme vermelho. – a essa altura, Rosane já tivera retornado ao estágio “quase-semi-dormindo”, o que era algo um pouco mais próximo de “dormindo” do que Fernando, e que a impedia de formular as frases de modo lúcido.
– O rato é vermelho?
– Enorme.
– Ai meu Deus… – Fernando soava. Tanto pelo rato, quanto pelo pesado edredom que o cobria.
– Tem uma cobra vindo pegá-lo. – repetiu Rosane.
– Que bom… Vou ficar parado.
– Fica.
– Pegou?
– Não, fugiu.
– Vamos ajudá-la.
– Não. Fica escondido.
– Tá.

Os dois voltaram a dormir.

Na manhã seguinte, ambos acordaram encharcados de suor.
Contrataram um dedetizador, que encontrou apenas um pequeno foco de baratas na lavanderia. Contudo, puderam dormir tranquilamente nas próximas noites.

Nunca nenhum dos dois se deu conta de que havia sido um sonho. Nem mesmo questionaram o perigo que seria ter uma cobra abocanhando o seu jantar sobre a cabeça de Fernando.

Nicolas Iory 

Breve elucidação: Eu realmente me diverti escrevendo essa balbúrdia desse post. Não consegui encontrar nenhuma imagem que ilustrasse bem esse texto, então resolvi postar a foto de um cachorrinho fofo. Ele é fofo, não é?

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Sobre Santa Balbúrdia

https://santabalburdia.wordpress.com/about/

Publicado em 26 dezembro, 2011, em Balbúrdios - Nicolas Iory. Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Maria Paula Vieira

    HAUAUAHAHUHAHAUHAUAUAS
    De-fi-ni-ti-va-men-te o texto mais divertido do blog!
    e….o cachorrinho é MUITO fofo! *-*

  2. Fernanda Ferreira F

    Ócio + maconha + ter uma conta no wordpress = esse post

    Ri alto japonês! Amei a “breve elucidação”.

  3. Curtir! ;D
    hauhauaha
    um rato vermelho….intrigante

  4. Às vezes, quando tô querendo me divertir um pouquinho, venho aqui, olho pra foto, leio a breve elucidação e fico rindo por uns bons minutos. Tipo agora…HAHAHAHAHAHAHA
    Sei lá, achei válido compartilhar isso.

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