Arquivo mensal: agosto 2012

Falta ouro

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Diego Hypolito durante os jogos Pan-Americanos de 2011 – Foto: http://bit.ly/MZL4u2

2012. Agosto. Londres. Olímpiada. E afinal, quem é que lembra agora de Pequim em 2008? Quem lembra quantas medalhas o Brasil ganhou, e quem foram os atletas e esportes responsáveis por elas? Diz aí, então, o que é que aconteceu nesses quatro anos que separaram um torneio do outro?

Você não sabe, a mídia não te conta, e os patrocinadores não te lembram.

Diego Hypolito caiu de barriga na performance do solo esse ano, mas ninguém te contou que ele tem DEZENOVE medalhas nesse mesmo aparelho, desde 2002, em Copas do Mundo, Campeonatos Mundiais e Panamericanos. Cesar Cielo decepcionou com o bronze nos 50 m livres em Londres, mas você sabia que de 7 disputas dessa prova, ele foi PRIMEIRO LUGAR em CINCO?

Mas eu aposto que você consegue dizer de cor e salteado a seleção de futebol da última Olímpiada, Copa do Mundo, das Confederações, e claro, até dos amistosos. Afinal, somos o país do futebol.

Nos próximos DOIS ANOS, a Caixa Econômica Federal pretende investir R$62,5 milhões nas seleções de QUATRO esportes (atletismo, ginástica, luta e esportes paraolímpicos). Na Copa do Mundo de 2010, a Nestlé anunciou ser a nova patrocinadora da seleção brasileira de futebol, desembolsando a quantia de R$ 220 milhões por ANO. Dá pra notar a diferença?  

A seleção brasileira de atletismo levou 230 atletas para Londres. As seleções masculina e feminina de futebol juntas, levam menos de 50. A natação oferece chance de disputa de 18 medalhas nos jogos olímpicos. O futebol? Duas. Quem tem mais investimento? Qual atleta ganha mais?

A diferença é tão visível, que hoje em dia não é novidade ver grandes clubes do futebol patrocinando atletas de outras modalidades. Cielo, depois de anos treinando em Auburn, é patrocinado pelo Flamengo. Thiago Pereira, prata na natação? É Corinthians. 

A Lei de Incentivo ao Esporte ou o Bolsa-Aleta do governo, são uma parte ínfima perto do investimento necessário nos nossos atletas e seleções, que além de lidar com o escasso patrocínio, ainda precisam se acostumar com a pressão EXAGERADA de um país que, na maioria das vezes, sequer sabia seus nomes antes dos jogos olímpicos.

Rosicleia Campos, treinadora das equipes brasileiras de judô, deu uma entrevista emocionada na última semana ao falar sobre as críticas aos jogadores olímpicos:

“O povo brasileiro é ignorante, no sentido de ignorar o esporte. Só temos Olimpíada de quatro em quatro anos, e só sabe o que é quem está lá. Só sabe onde o calo aperta quem veste o sapato. Quero ver ir para a Rússia, ficar uma semana lá comendo mal e treinando.” – disse ela.

Pois é.

Você, torcedor, patriota e coisa e tal, tem todo o direito de ficar frustrado, indignado e até assustado com o fraco desempenho do Brasil no quadro de medalhas da Olímpiada. E é claro, tem total liberdade de criticar e cobrar quem deve ser cobrado.

Mas me diz, QUEM é que deve REALMENTE ser cobrado?

Bárbara Libório

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