A emblemática saída de El Pirata

Hernán Barcos Palmeiras Grêmio

Barcos sempre gostou do Grêmio. Até já demonstrou seu faro de gol no Olímpico pelas semi-finais da Copa do Brasil 2012: Grêmio 0 X 2 Palmeiras – Foto: Ricardo Rimoli

Há exatos 370 dias, se apresentava na Academia de Futebol um jogador cuja contratação era amparada pela marca de 27 gols marcados na temporada 2011 do fraco futebol equatoriano e, para a maior parte dos torcedores, por um vídeo no Youtube.

A saída de Hernán Barcos para o Grêmio na sexta-feira (08/02) é inquietante para o torcedor palmeirense. Ela se dá após uma temporada que o elevou à condição de ídolo em um dos principais clubes do maior campeonato nacional das Américas, tendo chegado, inclusive, à seleção argentina de Messi, Agüero e Dí Maria. Mas GRATIDÃO não é o fator mais importante na hora de se decidir entre permanecer em um clube que tenta se reestruturar na Série B ou se transferir para outro que está cada vez mais redondo. E a discussão avança…

Primeiramente, verso brevemente a respeito do negócio para o clube (que envolveu a vinda de quatro jogadores, mais o pagamento de aproximadamente R$ 4 milhões, mais o pagamento das dívidas de cerca de R$ 1,5 milhões que o Palmeiras ainda mantinha junto à LDU [onde o atacante jogava], mais o pagamento de dívidas de direito de imagem que o clube tinha com o próprio jogador, cerca de R$ 1,4 milhões e… Ufa! Falando assim até parece que foi um negócio da China, hein?!). Nem tanto.

Tecnicamente, poderá ser considerada lastimável. Isso porque, com o não envolvimento do atacante Marcelo Moreno na negociação, nenhum dos jogadores que chegam ao clube tem reais condições de serem titulares, a priori (a não ser que o atacante Leandro desenvolva o potencial que alguns torcedores do Grêmio já acreditaram que ele tenha). “Mas o Palmeiras precisa de elenco”, dirão alguns. Certo. Mas perder o principal titular para ganhar quatro caras no banco de reservas? Não faz sentido.

Se é de quantidade que o time precisa, sugiro que promova uns cinco ou seis garotos do Palmeiras B ou mesmo do time que chegou às semi-finais da Copa São Paulo deste ano. De lá, por exemplo, poderiam vir, para as mesmas posições que os jogadores vindos do Grêmio, os zagueiros Fernando (uma vez que Luiz Gustavo, o outro zagueiro titular do time, já está entre os profissionais) e Gabriel Dias (que é primeiro volante de formação, mas que foi o zagueiro reserva na Copinha , chegando até a marcar um gol contra o Cruzeiro), além dos meio-campistas Ramos (canhoto, destaque do time que disputou a Copa SP em 2011, atualmente está no Palmeiras B) e Chico (um dos principais jogadores da campanha deste ano), e o atacante João Pedro (que, mesmo saindo da reserva, marcou quatro gols na Copinha).

Financeiramente, apenas a diretoria é capaz de dizer ao certo, mas parece ser um dinheiro que chega em ótimo momento (embora a camisa 9 – usada pelo atacante – seja, provavelmente, a mais vendida pelo clube e o jogador fosse a principal figura de marketing do Palmeiras). Quão o financeiro será mais importante que o técnico em um clube que precisa se reestruturar, mas sabe que a torcida anseia por resultados em campo? O tempo dirá…

O Palmeiras ser peitado pelo caixa do Grêmio é algo a se pensar. De acordo com o consultor Amir Somoggi, em matéria do portal da ESPN Brasil, o orçamento do Palmeiras era mais que o dobro do Grêmio há dez anos, quando o clube paulista estava na Série B e o tricolor gaúcho estava até disputando a Libertadores (embora aquela temporada tenha sido pífia para o time, que se salvou do rebaixamento no Campeonato Brasileiro na última rodada).

Claudio_Pitbull_GremioO principal jogador daquele Grêmio era Cláudio Pitbull (lembra?). No Palmeiras, além de Marcos e Magrão, despontavam jovens como Diego Souza, Edmílson e Vagner Love. Dez anos depois, os gaúchos possuem arrecadamento anual equivalente ao do Palmeiras, e foi campeão seis vezes (incluindo a Série B de 2005, a tal Copa Federação Gaúcha de Futebol e a Taça Fronteira da Paz). O Palmeiras? Campeão por três vezes no período (incluindo a Série B de 2003).

Eis aí uma “palinha” do estrago que seguidas más gestões podem causar…

Traidor

Muitos palmeirenses falam sobre a saída de Barcos como uma traição. Coisa de mercenário. Sou um pouco mais compreensivo com o Pirata.

O cara tem 29 anos e o sonho de jogar uma Copa do Mundo. Provavelmente, essa deve ser sua última chance de fazê-lo, devido à sua idade. Com o técnico Alejandro Sabella (da seleção argentina) tendo anunciado que “não irá convocar jogador da Série B”, é justificável que Barcos estivesse louco para sair. Ainda assim, suas chances de virar figurinha para o álbum da Copa de 2014 continuam remotas, convenhamos.

Torcedor palmeirense é calejado nisso. A gente sabe quando um jogador está interessado em sair ou em não vir. Encaramos isso recentemente com o Kleber-Judas, Valdivia, Ronaldinho Gaúcho e Alex, o meia da Libertadores de 1999 que foi para o Coritiba.

Mesmo com o vídeo do “Tamo junto” e suas postagens nas redes sociais, lidamos com algumas picuinhas dele e do seu irmão (representante do jogador) no início do ano que davam a dica. E, sinceramente, eu também iria querer jogar no Grêmio com toda essa situação. O Barcos não está entre aqueles que jogariam pelo Palmeiras por amor à camisa.

Eu o considero uma boa pessoa e torceria bastante pelo seu sucesso caso fosse para o exterior. Indo para o Grêmio, quero mais é que dê prejuízo aos gaúchos. E que não volte a ser convocado, de quebra.

mazzola

Mazzola: O “Diabo Loiro” – como ficou conhecido na Itália – fez 85 gols em 114 jogos pelo Palmeiras. Titular da Seleção Brasileira na Copa de 58, anotou dois gols na estreia e se contundiu na segunda partida. Em seu lugar, entrou um tal Pelé.

Em tempo, enquanto conversava com alguns caras em frente ao prédio em que trabalho, um senhor disse o seguinte: “Quando eu ‘conheci’ o Palmeiras, esse cara não servia nem para ser o roupeiro do time. Era a Academia de Futebol. Mesmo sendo santista – por causa do Pelé -, sempre que passava jogo do Palmeiras na [TV] Cultura, eu parava para assistir”. Pois é…

E é esse mesmo Palmeiras que agora cederá a  camisa ao ex-gambá Weldinho e companhia. Mas por outro lado, esse também é o mesmo Palmeiras que um dia vendeu o Rivaldo, o Leivinha, o Mazzola e tantos outros, e continuou sendo o gigante que a história conhece. O Barcos? “O Palmeiras não é a Marinha para querer ‘Barcos'”, como disse um sábio diretor há pouco mais de um ano.

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Publicado em 13 fevereiro, 2013, em Artigos e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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