Arquivo da categoria: Balbúrdios – Bruno Souza

Balbúrdios do chato!

Se bem que…

fonte: http://migre.me/7xfV9

Eu sigo apreciando a paisagem da tropical vereda que venho percorrendo, e não é porque cansei de correr. A culpa da minha inesperada pausa é a boa sensação de descansar os pés calejados, é a paz que se sobrepõe após o silêncio da fadiga e, em menor parte, é a suave brisa que só sinto quando estou recluso.

Poderia ter descoberto tamanho prazer antes, se não fosse a mania metropolitana do agito, que tomava conta de mim até pouco tempo (alguns minutos). Eu corri, eu não esperei e eu atropelei de olhos fechados, para fazer jus ao provérbio, e fazer o coração não sentir. E tudo foi por receio de ficar pra trás.

Me poupo de minhas próprias lamúrias, mas vale ressaltar que: pobre de mim! Só descobri agora que sentir o momento, em cada detalhe que lhe consagra, vale “uma, talvez duas, mas não mais que três” viagens ao paraíso momentâneo que pode, eu sei, se desfazer num piscar de pálpebras, num fazer castelos de areia em praia onde a maré ameaça subir.

No entanto, larguei mão da ânsia de segurar tudo sozinho e de agarrar as (des)oportunidades mesmo estando como um caminhão cegonha saturado (nota mental: pensar em metáforas melhores). Portanto, eu parei. Parei de andar, de fazer, de querer, de saber e de morrer. Estou paralelo à sombra de uma estátua. Contudo, sinto que está passando, e que dentro de alguns minutos, voltarei a CAMINHAR pela tropical paisagem e deixar a inércia ártica das geleiras.

Se bem que, não me importaria de ficar assim por mais algum tempo, mas a vida pede movimento…

Bruno

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Mundo Calculado

Talvez a coisa mais abominável esteja nos gestos mais simples. A inocência, há tempos, vem se tornando cada vez mais escassa e a maldade vem se propagando com uma frequência acima da média. E não se engane! O sujeito, em sua natureza, não quer ser esta criatura tomada por desconfiança e malícia, porém, o mundo o pede assim. E assim será. E assim vem sendo…

Tudo tem um propósito egoísta, logo, desconfio das boas ações. Se estendo a mão, é porque quero algo em troca. Se não estendo, é porque, no atual momento, não há nada que você possa me oferecer. Salvo raras exceções, mas normalmente, é mais ou menos assim que a banda toca.

E, se me derem licença, gostaria de relatar a minha opinião no que diz respeito à intensidade cruel de cada gesto, de cada farsa e de cada detalhe. Acredito que a extinção da inocência se deve, principalmente, ao alto grau de camuflagem que a tecnologia e as novas plataformas de comunicação nos propiciam.

Sou adepto da seguinte tradição: assuntos importantes devem ser tratados pessoalmente. Nada de telefonemas ou conversas na rede. Tudo para impossibilitar ou, pelo menos, tornar mais difícil, técnicas de teatro textual ou tons falsetas de voz.

Nas novas plataformas, cada “oi” tem a sua finalidade. Cada “tweet” tem a intenção de provocar algo ou alguém. Cada foto postada foi selecionada visando à reação dos amigos. E por de trás disso, pode haver intuitos nem sempre politicamente corretos. Os gestos vão sendo digitalizados, e a inocência vai se esvaindo de forma quase que simultânea.

Vivendo nesse mundo estratégico e calculado, fica claro porque as pessoas vêm adquirindo malícia. Se não adquirirem, ficarão pra trás.

Por agora, chega de baboseiras…

Bruno 

Nostalgia festiva

fonte: http://migre.me/64jRr

As pessoas compartilham de um pensamento que eu, particularmente, discordo. Muitos gostam de falar que o “tempo voa”. Não, não é o tempo que voa, quem voa é a nossa mente que a todo tempo quer segurar o tempo como se fosse algo palpável. Pare pra pensar, quanta coisa já aconteceu na sua vida?

Qual foi a última vez que você ganhou um brinquedo de aniversário? Há quanto tempo você não chama a professora de “tia” ? Faz quantos anos que você não vê aquele coleguinha de escola? Quando foi que você se apaixonou pela primeira vez? Quantas pessoas queridas já não estão mais aqui? Alguém ainda lê histórias pra você? Com que frequência você sai pra passear com seus pais?

Eu não sei vocês, mas pra mim, um bocado de coisas já aconteceu. É pura lógica, pra caber essa quantidade de coisas, muito tempo é necessário, ou seja, muito tempo se passou. Contudo, a sensação de que o tempo voa continua, não porque ele voou, mas porque ele passa. Passa e leva junto a memória, as lembranças, as pessoas, os lugares… a vida.

[…]

E eu me lembro de quando ia ao médico com a minha mãe. Entrávamos no consultório, o médico perguntava qual era o problema e a dona Márcia falava por mim. A fórmula era simples. Mas foi num dia como esse que ela disse:

– Quando você fizer 18 anos, terá que entrar sozinho na sala e explicar o que se passa.

Eu, no auge dos meus nove anos, pensei, “falta muito tempo ainda”.

Falta muito pra eu ter responsabilidade, falta muito pra responder pelos meus atos, falta muito pra virar gente grande, enfim, falta muito. Ah, mas o “falta muito” foi encurtando, ano após ano, e cá estou eu, tão nostálgico quanto meu avô falando de sua terra natal.

Amanhã eu faço 18 anos. Vou dirigir, vou entrar nos lugares, vou ter autonomia… Mas de que adianta tudo isso, se terei que entrar no consultório sozinho.

Bruno Souza

Breve elucidação (mania do Nicolas) : Agradeço o passado, aproveito o presente e anseio o futuro…  Parabéns, Bruno. E que venham os próximos 18 anos!

O mar, os peixes e os tubarões

fonte: http://bit.ly/nTZJdB

O mar não está pra peixe. E eu, particularmente, me irrito com quem não é tubarão. Talvez porque algumas pessoas façam questão de se apresentarem eternamente como peixes. Mas também pode ser o incômodo causado por tal situação que me faz relembrar os meus momentos no cardume.

Verdade seja dita, todos são frágeis em certo ponto da vida, mas isso não precisa estar estampado. Se bem que, me admiram aqueles que assumem os defeitos, pois estes são os legítimos reis do mar. De fato, são assuntos distintos. O frágil é aquele que não assume suas fraquezas, porém, faz delas algo tão notável quanto as mentiras que conta para disfarçar.

Sendo assim, assumo um dos meus defeitos. Às vezes acho que nasci com um faro excepcional para detectar inverdades. E tudo não passa de um estado. Estou, novamente, sendo iludido por mais uma falseta emitida de uma intuição duvidosa.

E como é engraçado, odeio quem faz essa coisa de tirar conclusões precipitadas baseadas em desconfianças, talvez porque seja uma característica que eu mesmo abomine. E seu eu abomino é porque eu conheço. E se eu conheço é porque pratico.

Em síntese, odeio grande parte da humanidade, já que a maioria das pessoas pratica esse ato, ou melhor, eu me odeio, já que pratico também… Na verdade, nem um, nem outro. O que houve foi a expressão de mais um defeito meu, o de ser radical, tanto no que escrevo quanto no que falo. E este texto se tornaria bem menos admirável se não existisse este parágrafo, no qual eu assumo uma falha.

Finalizando: eu odeio contradições, logo, eu digo que o mar não está pra tubarão. E eu, particularmente, me irrito com quem não assume que é peixe… Ops!

Bruno Souza