Arquivo da categoria: Poemas

Obra de um poeta vadio

Do tempo – atempo.
Contratempo, contra o tempo.
Passatempo.
Tempo.
Então o medo…
Cedo, vendo o arvoredo.
Brinquedo azedo, enredo-desenredo.
Medo.

Se desespero, claro, altero.
Do bolero, me apodero.
Se altero, me desespero.
No desespero, te considero.

Busquei pensamento,
Obtive esquecimento.
Abastamento, abastardamento.
Abatimento.

Realmente…
É o maior barato esse tal dicionário de rimas online!

Nicolas Iory

Breve elucidação: bem breve.

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Tempo

foto: Fernando Maluf

“Eu vejo o futuro repetir o passado,
eu vejo um museu de grandes novidades… o tempo não para”

*

“Hoje o tempo voa, amor…
escorre pelas mãos… mesmo sem se sentir.
E não há tempo que volte, amor,
vamos viver tudo que há pra viver…
vamos nos permitir”

*

Agradecemos a todos pelas visitas do #SantaBalbúrdiaDay.

Citações: Arnaldo Brandão/Cazuza (O tempo não para); Lulu Santos (Tempos Modernos).

Envelheço na Cidade

Embora eu goste dessa foto e me recorde do contexto no qual ela foi tirada, o real motivo para ela estar aqui é apenas a intenção de dar uma aparência melhor ao post ;D

A aurora da minha vida não foi na rua homônima, como a de Mário.
Foi nos Jardins.
Foi nos Jardins e fujo da modéstia consensual para dizer – sou sim, flor que se cheire.
Semeie.

Naquela ilha minúscula e distante,
De gente tosca e inteligente,
Se encontraram e vieram à terra tupiniquim.
Após um casal de impuros veio o avião.
Veio não, foi.

Infância é coisa legal,
Eu é quem era chato. Bem chato.
Correr, brincar e falar sem o mínimo de raciocínio, sem preocupações.
A vida era boa.
À toa.

Fosse Santo Cristo também teria ido para Salvador.
Me enquadro no “passarinho que cria asas e quer voar” dos filhos de Francisco.
Mas nem de tanto foi preciso, veja só!
Talvez cansada dessa história de criar filhos (compreensível, visto eu ser o quarto), dona Regina contou com a sorte.

Quer ir, vá!

Ah sorte…
Que vistes em minha mãe para encostar-se nela por esses dezenove anos?!

Vejam Mário aqui de novo!
Oito anos em minha vida.
Mais uns tantos em meu coração.
E “tantos” compreende aqueles que ainda virão,
Até que eu encontre minha Lopes Chaves.
Verdade.

Lembro, com amor, das gotas de flor.
Lá conheci muita gente interessante, mas não houve neto bastardo de bisavô algum.
Estava lá um tio.
Não meu, de todos.
Se hoje viajo entre vagões e filas a perder de vista, ponho na conta do citado.
E grato.

Do brigadeiro vinha o pão.
Era época de Napoleão.
Não o Bonaparte, um tal Carvalho Freire.
Quanta gente, quantos amigos.
Queridos.

Não deixo de falar de ti,
Que aqui instaurou uma paixão ítalo-brasileira.
Dignidade e União, eis a Glória.
Me arrendou como mais um devoto da tua história.

Aos que seguem o passo e aos que dele se afastaram,
Agradeço por fazerem valer à pena.
Não os deixo debaixo de sete chaves, quero todos aqui, agora.
Libertos, espertos e tudo mais,
Por cada um de vocês, agradeço a Deus e aos orixás.

Brincar de auto-retrato aos dezenove é coisa chata,
Que me aguardem aos sessenta. Aguenta.
No momento, construo a rota até a Lopes Chaves,
Assoprando mais uma velinha no quinze de Agosto.
Desgosto.

Nicolas Iory

Citações:
Fernando Brant/Milton Nascimento
(Canção da América); Ira! (Envelheço na cidade); Legião Urbana (Faroeste Caboclo); Mário de Andrade (Lira Paulistana); Milton Racionais Mc’s (Fórmula Mágica da Paz); Zezé di Camargo e Luciano (No dia em que eu saí de casa).

 

Breve elucidação:

Não sou poeta e nem pretendo ser ou parecer um. Gosto de rimar as palavras mas não gosto de ser obrigado a fazê-lo. Isso vale para a diretriz de construir versos metricamente semelhantes. Besteira.

Desgosto” foi só alusão à máxima de que “Agosto é o mês do desgosto”. Nada relacionado ao meu sentimento por aniversariar. 😉

Já ia me esquecendo de uma elucidação que darei pelo medo de que não saibam/ compreendam – Mário de Andrade encerrou sua vida na Rua Lopes Chaves.

Tá na cara?

Vi graça na careta da menina ao descobrir um besouro. Quis reproduzir aquela expressão ao espelho.
A perfeição no sombreado e a leveza em cada traço. Tudo aquilo me impressionou no trabalho do artista.
Não só ri da boa piada do humorista, mas também o admirei, por tamanha sagacidade.
Pela terceira vez seguida, ouvi a mesma música, dando atenção aos mesmos sons e tendo as mesmas vibrações. Virtuoso o criador.
Quando senti um dos duros golpes da vida, fiquei encantado com a percepção de um bom amigo, que verificou minha lamúria pelo simples gesto de eu ter optado por um copo d’água, ao invés do habitual refrigerante.
As indiretas que escrevia, não tinham a intenção de serem compreendidas. Mas foram. E isso me instigou.
Será o mundo um complô, ou estará assim, na cara, essa minha condição de aprendiz?

(Frank Drebin – fonte: http://bit.ly/oSWKVC)

P.S: Que nojo de título. ;S

Nicolas Iory