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A história da glória da manhã – Delírios (parte 4/4)

Qual a história da glória da manhã?!

Como num piscar de olhos – num momento você estaria vivo, e noutro, já estaria no julgamento final. Haveria chances para atingir a salvação, mas tenha certeza, isso decorreria de sofrimento em um tempo difícil, ainda aqui na terra.

O Apocalipse sempre é motivo de temor para nós que mal sabemos (ou não sabemos) da existência de entidades espirituais. O Criador batalhando por seus filhos contra aquele que o traiu e se postava do outro lado do tabuleiro.

Tudo isso ocorreria nesse planeta físico em que vivemos. Não haveria mais ciência para contestar e nem jornal para noticiar.

Assim (ou quase assim), ela me explicou.

Quantas pessoas especiais mudam? Quantas vidas estão sendo vividas estranhamente? […] Pois as pessoas acreditam que irão simplesmente chegar ao verão. Mas eu e você, vamos viver e morrer… o mundo segue girando e não sabemos o porquê

Nunca precisei de estímulos exteriores para “viajar” com essa música.
Uma religião por si só, é possível sentir alegria, melancolia, tristeza, relaxamento, nostalgia e inquietação ouvindo essa que é uma das músicas mais “interprete do jeito que conseguir” do Oasis.

Chego em casa sem sentir frio, e satisfeito por ter me lembrado um pouco de Deus, e reciclado algumas crenças que estavam no armário.
Sem consumir mais que boas palavras, músicas e dois cigarros, eu havia atingido um nível de satisfação incomum para uma terça-feira qualquer.

Sigo me sentindo sem preparo para seguir alguma religião ou freqüentar alguma igreja em específico.
Por enquanto, vou alcançando minha glória apenas através da música. Ou quase apenas.

Nicolas Iory

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A história da glória da manhã – Delírios (parte 3/4)

Alguém pode dizer que eles não acreditam no paraíso. Vá e diga isso àquele que vive no inferno” 

Balança o ônibus. O corpo é imóvel. A mente dança.

Aqui vai o pensamento para todo homem que tenta compreender o que possui em suas mãos […] Com todo o peso e todas as palavras que tentou dizer, acorrentado aos lugares que jamais desejou estar, assim que ele encara o sol, dissolvem-se as sombras

Já não era a primeira vez que essa música me soou como uma mensagem de salvação.

Com tudo aquilo que nos é imposto, todos os problemas e limitações que possuímos, sempre há a luz do sol para nos iluminar e aquecer. O sol nasce para todos…

Ela é elétrica, eu poderia ser elétrico também?!” 

Acendi meu segundo cigarro na estação. Havia garoado nesse lado da cidade.

Enquanto o ônibus não partia, a cobradora havia comprado uma pamonha com o dinheiro da catraca, e o motorista gargalhava alto para um casal de amigos.

Quando o ônibus partiu, a moça levara colheres de pamonha à boca do motorista enquanto esse pilotava. Sorri e percebi que não era o único que reagia à situação desse modo.

A cada colherada, o ônibus se movia um pouco para a direita, acompanhando o movimento do piloto que esticava o pescoço para abocanhar o doce. Parecia criança. Deve ser bom ter alguém para cuidar de nós, mesmo sabendo que aquele não era o caso do motorista.

Perdi o final da música observando a cena.

[…]

A história da glória da manhã – Delírios (parte 2/4)

Bem agora, você deveria, de alguma maneira, ter percebido o que tem de fazer […] Talvez, você será aquele que irá me salvar. E, ao final de tudo, você será o meu protetor

Acendi um cigarro já anestesiado com a lembrança recente da conversa e as músicas do meu CD favorito que eu havia escolhido sem maiores pretensões.

Desde o início do Santa Balbúrdia, eu guardava uma anotação para escrever sobre religiosidade, e a existência de momentos que, conforme a sábia personagem do Paulo Coelho pregara, nos levavam a nos deparar com alguma espécie de milagre, uma manifestação divina que poderia estar contida no retrato mais mundano possível.

Ouvi aquela música, pela primeira vez, com um cunho religioso.
A noite era fria (já vos disse). Não havia brecha entre as nuvens por toda a extensão do céu. Minto. Havia uma. Pela qual pude visualizar uma bela lua cheia no exato momento em que o Liam entoava a salvação ao fone de ouvido.

Sorte a minha ter conseguido notar o meu momento de milagre do dia.

Mas – ‘Não olhe para trás com rancor’ – eu a ouvi dizer

A divindade estava consumindo a minha áurea, ah! Que bom estar liberto dos maus sentimentos, que bom ter algum conforto numa nova perspectiva!

Senti vontade de enviar uma mensagem para ela. Não, para elas! Droga… deveria ter colocado créditos no celular.
Vou manter a luz acesa. Mais que isso – irei aumentá-la.
Sim, a luz que cega. Yeah! Cum on!
Vergonha ou receio de se apaixonar… evitar gestos que seriam autênticos para não demonstrar afobação – como alguém pode sustentar isso?! Para quê?

Esperar que as coisas aconteçam… desperdiçar o prazer de um mergulho na bacia de uma queda d’água apenas pelo temor de passar frio posteriormente… ah! Não é pra isso que a gente vive!

Último trago, o ônibus vem vindo.

Eu pensei ter ouvido alguém dizer agora – ‘não há mais tempo para correr por aí agora’… heey now… heey now…

Vamos lá, é agora! Desperte!

[…]

A história da glória da manhã – Delírios (parte 1/4)

“Nós vivemos nas sombras e tivemos a chance, mas a jogamos fora. E isso jamais será o mesmo, pois os anos seguem caindo como a chuva”

Manter um blog em parceria com o Bruno me é um alento desmedido. Já me propuseram o curso de Publicidade e Propaganda, mas, embora eu reconheça que poderia me dar bem, não confio na minha inspiração criativa para me arriscar a viver disso.

Há algum tempo a bendita (inspiração) não batia à minha porta e, graças a um empurrãozinho divino, acabei topando com ela por aí e resolvi não desperdiçar essa chance.

Esses textos (e só esses) não possuem a pretensão de serem bem estruturados e nem de ser de um todo aprazíveis ao leitor. É um relato pessoal. #lêquemqué

Manja a Clarice Lispector? (sim, eu manjo, seu mané) Então… Certa vez, observaram que o ápice das suas histórias se dá num momento de epifania em que a personagem se depara com um quadro caótico (ou cosmótico) e se confronta com o novo e assustador (ou encantador). Um momento mágico.

Assim (ou quase assim) foi naquela noite.

“Você tem que dizer o que você diz. Nunca permita que alguém barre o seu caminho” 

A personagem sem nome e sua mulher, Pilar, de Paulo Coelho, já me havia indicado que “esses assuntos” de Deus me fazem bem, e de muito foi válido encarar algumas palavras de fé naquela noite gelada. Agradeço àqueles que já sacaram quando foi.

Nunca fui religioso e nem bem sei no que creio ou descreio. Mas me faz bem acreditar e ouvir/ler sobre Deus… mesmo que os discursos o tragam cada um ao seu modo.

[…]